29 de junho de 2008

Pavão

Fernando Pascoal das Neves (Pavão), nasceu no dia 12 de Agosto de 1947 em Chaves.
Começou a jogar futebol nas camadas jovens do G.D. Chaves onde deu nas vistas.
Em 1964 e com 17 anos, ingressou nos juniores do Futebol Clube do Porto.
Logo no ano seguinte passou para a equipa principal orientada na altura por Flávio Costa.
A sua estreia a títular com a camisola dos Dragões aconteceu no dia 26 de Setembro de 1965 no Estádio das Antas, quando os portistas receberam e venceram o S.L. Benfica por 2-0, num jogo a contar para a 3ª jornada do Campeonato Nacional de 1965/66.
Na primeira temporada no plantel principal, Pavão conquistou a Taça Associação de Futebol do Porto.
Mas foi com a chegada do treinador José Maria Pedroto que Pavão ganhou de maneira definitiva a titularidade, para além de ser o jogador mais jovem do plantel foi o escolhido para ser capitão.
O ponto alto da sua curta carreira como futebolista aconteceu na época de 1967/68 ao ajudar o F.C. Porto a conquistar a Taça de Portugal ao derrotar na final o Vitória de Setúbal por 2-1.
Esteve presente em momentos importantes e históricos para o F.C. Porto. Em Janeiro de 1970 fez parte da comitiva portista que foi participar no jogo de inauguração do Estádio Cícero Pompeu de Toledo a convite do São Paulo F.C., os Dragões empataram com os paulistas a zero no novo recinto do Morumbi. Em Janeiro de 1971 foi um dos títulares na equipa azul e branca que venceu o S.L. Benfica no Estádio das Antas por 4-0, onde Lemos foi o autor de todos os golos. Em setembro de 1972 esteve nos dois jogos da 1ª eliminatória da Taça UEFA, quando o F.C. Porto venceu o F.C. Barcelona por 3-1 nas Antas e sete dias depois, 1-0 em Camp Nou.
Em 1973 falava-se que ia para Inglaterra jogar para o Manchester United F.C., e que tinha planos para abrir um “pub” na Praça Velásquez. Todo isso terminou ao minuto 13 da 13ª jornada do campeonato de 1973/74 no dia 16 de Dezembro, quando depois de fazer um passe para Oliveira, Pavão caiu e não se levantou mais. Foi levado para o hospital de S.João onde 1 hora e meia depois foi anunciada a sua morte. O jogo continuou e o F.C. Porto venceu por 2-0 sobre o V. Setubal.
No final quando se soube que Pavão tinha morrido, o silêncio tomou conta das pessoas que enchiam as bancadas ao mesmo tempo que os jogadores procuravam consolo nos colegas. Foi esse o dia mais triste do Estádio das Antas e um dia que ainda hoje muitos portistas não esqueceram.
Pavão (por jogar com os braços bem abertos, ficou com essa alcunha já desde os tempos que jogava em Chaves), faleceu com 26 anos. Era um dos melhores futebolistas portugueses e o melhor no seu lugar de médio-centro. Representou o F.C. Porto durante 9 épocas, tendo disputado 229 partidas oficiais e 25 golos marcados.
Pavão representou ainda a Selecção Nacional por seis vezes.
Esta sepultado no mausoléu do F.C. Porto no cemitério de Agramonte.

Palmarés
1 Taça de Portugal 1 Taça Associação de Futebol do Porto

12 comentários:

dragao vila pouca disse...

Estive de férias e só agora regressei, mas ainda a tempo de dizer qualquer coisa de um dos meus ídolos.
A primeira vez que fui às Antas, foi para pela mão do meu avô, ver, no campo de treinos, um jogo dos juniores entre o F.C.Porto e o Freamunde que tinha sido a única equipa a derrotar essa extraordinária equipa de que fazia parte Pavão. Fiquei com cerca de 9 anos, maravilhado com talento do Flaviense. Depois segui a sua carreira sempre com a atenção que ele merecia.Lamentavelmente estive no jogo da sua morte e no funeral que teve milhares de pessoas a acompanhá-lo.
A classe, o talento nato, a elegância de um grande jogador, que se jogasse agora valia muitos milhões.
Um abraço

Rui Santos disse...

Grande iniciativa este blog. Tudo para que não esqueçamos os nossos antepassados portistas. Continua este projecto. Está muito bom.

Paulo Moreira disse...

Obrigado :)

h.russo disse...

Para quem o viu,um dos melhores de sempre. Para mais recordações www.memoriaazul.blogspot.com

Anónimo disse...

Amigos:


Pena que estejam os elogios mais focados nos aspectos... fúnebres, que desportivos.

Por exemplo:

Em relação à sua estreia nos séniores do FC Porto, tudo certo, mas falta «dizer» que se destacar-se-ia na marcação a Mário Coluna.

Sobre os 2-0, os golos foram obtidos pelo bracarense Carlos Batista (a residir em Braga) e pelo transmontano Nóbrega (a residir, aqui, na Rua do Falcão).

E, ainda, sobre a sua estreia internacional na equipa «A», que foi em Lourenço Marques (hoje Maputo), frente ao Brasil (derrota por 0-2), sendo substituído pelo Artur Jorge, que diria ao «Record» ter ido substituir, injustamente, o... «melhor jogador em campo» (possuimos esse «recorte»).

Aliás, nesse jogo,o grande Rolando recusou-se entrar a 2 minutos do fim dizendo para o seleccionador (JM Antunes»)... «entre você».

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Nunca tive opurtunidade de ver um pouco do jogo que fazia Pavão , pois sou muito jovem .
Sou grande adepto de futebol e do futebol clube do Porto .
Pelo que ouço falar , Pavão foi um grande jogador , e poderia ter sido um dos melhores de sempre .
Relembremos aqui a memória de Pavão .

Mário de Aguiar disse...

Depois de tantos anos, relembrei agora aquele triste dia da morte do saudoso PAVÃO!
Acabei de aceder a estes comentários e fiquei feliz ao relembrar os que foram grandes jogadores do nosso FCP. Alguns já nem me lembrava, apesar que colecionava cromos nas cadernetas para esse efeito, nos meus tempos de rapazote, (anos 50).Agora com os meus 65 anos de idade.
Aquando da sua morte que me ficou gravada na memória, estava eu a ouvir o relato em Cabinda-Angola. Parece que foi ontem...Nunca mais me esqueci da Equipa adversária nesse jogo "Vitória de Setúbal".
Abraços a todos os Portistas.
Mário

Anónimo disse...

E com muito orgulho que leu comentarios de jogadores do fcp que nunca tive chance de conhecer parabens ao blog e termos sempre o dragão no coração

Leonardo Magalhães disse...

Fatídico 13!!! Minuto 13; jornada 13 e o seu substituto, se não estou em erro, o Simões, tinha o nº 13!!!
Também estive no estádio: todos choravam. O Octávio, na altura no Setúbal, com as lágrimas nos olhos, preocupava-se mais em saber como estava o companheiro de profissão, adversário no campo, do que com o jogo. Desede esse minuto 13, o jogo decorria, mas sem a vibração habitual. Foi cumprir o tempo que faltava!!!
É bom sentir que ainda hoje, já lá vão quase 40 anos e o Pavão continua na nossa memória!!

Anónimo disse...

Conheci o Pavão em 1971 num quartel na Arca de àgua.Mas já o tinha visto jogar em Alvalade pela slecção de esperanças contra a Espanha.2-2 Já não me recorda o nome do quatel. Conheci-o aí era uma pessoa simpática e era um ídolo.
Na tarde que morreu estavamos a jogar em Viana do castelo e ao chegarmos ao balnea´rio já se constava que tinha morrido.Recordo-o como um craque desprovido de vedetismo

leportista disse...

Dizia-mos nòs no celebre tribunal das Antas - Este quer-alho, quando abre o livro é um tratado pà.-
Pela sua elegancia no relvado,nao deixava ninguem indeferente, depois dele, sò vi o Teofillo a conduzir a bola com a cabeça levantada,Pascoal nunca mais me sairia da mente e ficou para sempre como o meu idolo. Ganda Pavao.
Um abraço.

Vítor Cruz disse...

Só agora li o comentário do "Dragão Vila Pouca" acerca do jogo de juniores com o Freamunde. Joguei esse jogo no flanco direito como muitos outros ao lado do Fernando "Pavão", que no meio fazia dupla com o Ernesto, à esquerda. Aqueles meses que joguei ao seu lado foram das coisas mais felizes da minha vida desportiva. Nunca esqueço um lance, que foi muito comentado, num outro jogo no campo de treinos das Antas, todo realizado em velocidade, que se iniciou na direita com um passe do Fernando em trivela eu arranquei veloz, ele acompanhou por dentro, quando surgiu o primeiro adversário dei-lha para trás, ele devolveu na frente de primeira, eu de primeira devolvi-lha e ele alongou de primeira para a lateral da grande área, onde apareci em velocidade atrazando da linha de fundo para a entrada da pequena área para ele encostar no fundo da baliza com a parte lateral do pé, com a elegância habitual.Como antigo amigo e colega de equipa, e colega de quarto no "lar" do jogador do F.C.P.,tenho as maiores dúvidas que com o seu consentimento o "Fernando" alguma vez ingerisse substâncias dopantes sobretudo porque ele era mais do que qualquer um de nós um atleta robusto de enorme capacidade física com um enorme "pulmão", ou seja uma enorme capacidade cardiotorácica e cardiovascular. Mas ainda há quem malevolamente o faça.Dias antes da morte, no final de um treino que a minha equipa da altura (S.C. Salgueiros)acabava de fazer nas Antas, dizia-me entusiasmado que já tinha acordo estabelecido com o Manchester para a época seguinte e convidou-me para inauguração do seu "pub" no Porto.
O trágico acontecimento, da sua morte impediu a nação e o mundo de conhecer através do futebol inglês, nos anos seguintes, um dos que foi sem duvida dos melhores futebolistas portugueses de sempre que as influências dominantes de Lisboa daquela época nunca permitiram...Aqui fica o meu testemunho.