22 de março de 2009

Frasco

António Manuel Frasco Vieira nasceu no dia 16 de Janeiro de 1955 em Leça da Palmeira.
Foi no Leixões S.C. que Frasco iniciou a sua carreira de futebolista com 14 anos de idade.
Fez a sua estreia na 1ª Divisão Nacional na temporada de 1973/74 com apenas 18 anos de idade pelo Leixões S.C. treinado em primeiro lugar por António Teixeira e mais tarde por Haroldo de Campos. Nesta altura, Frasco ainda ocupava preferencialmente a posição de avançado e só mais tarde foi recuado para a posição que se notabilizou como meio campista. Na primeira época na 1ª Divisão Nacional, num campeonato em que o Leixões S.C. se classificou na 14ª posição da geral, Frasco foi utilizado apenas em 10 ocasiões sem ter apontado qualquer golo. Mas seria na temporada seguinte que Frasco se irá afirmar definitivamente na equipa de Matosinhos, já ocupando a posição de médio, disputando o nacional maior da época de 1974/75 onde o Leixões S.C. treinado inicialmente por Haroldo de Campos e Raul Oliveira e mais tarde por Filpo Nuñez, terminou a prova num honroso 9º lugar. Frasco foi dos jogadores mais preponderantes nesta equipa do Leixões, pois actuou em 27 partidas oficiais no Campeonato Nacional concretizando 3 golos.
A partir daí passou a ser dos jogadores mais importantes na equipa do Leixões S.C. que nas épocas de 1975/76 e 1976/77 disputou a 1ª Divisão Nacional. Nesta ultima época de 1976/77 o Leixões S.C. acabou por descer à 2ª Divisão Nacional pois não conseguiu ir alem do penúltimo lugar na prova não evitando dessa forma a despromoção. Nesta altura, Frasco era já um jogador altamente pretendido por clubes de maior nomeada e que jogaria no primeiro escalão, mas o certo é que ainda permaneceria durante mais uma temporada ao serviço do clube da sua terra, desta feita, disputando a Zona Norte da 2ª Divisão Nacional na época de 1977/78.
No início da temporada de 1978/79 transferiu-se para o Futebol Clube do Porto treinado por José Maria Pedroto. A sua estreia com a camisola dos Dragões aconteceu no dia 26 de Setembro de 1978 no Estádio do Bonfim, quando os portistas a jogar como equipa visitante, derrotam o V. Setubal por 1-0, numa partida a contar para a 1ª jornada do Campeonato Nacional de 1978/79.
Frasco ingressou assim num dos mais importantes clubes nacionais. O certo é que, ao serviço do F.C. Porto, Frasco iria projectar-se definitivamente no futebol português, conquistando títulos nacionais e internacionais, passando ainda a representar a Selecção Nacional com regularidade. Seriam 11 épocas consecutivas ao serviço dos azuis e brancos onde integrou equipas recheadas de grandes jogadores e treinadas por técnicos de renome nacional e internacional. Integrou uma geração de jogadores do F.C. Porto, como João Pinto, Lima Pereira, Jaime Pacheco, Sousa, André, Gomes, Futre, entre outros, que ficaram para sempre ligados à história do principal clube da cidade invicta.
Logo na época de estreia ao serviço do F.C. Porto, em 1978/79, Frasco conquistou o seu primeiro título de Campeão Nacional. José Maria Pedroto entregou a titularidade ao jovem Frasco de apenas 23 anos de idade e este não se fez rogado exibindo-se ao mais alto nível durante aquela temporada. Foi o único totalista da equipa do F.C. Porto no Campeonato Nacional de 1978/79, alinhando as 30 partidas da prova e apontando 2 golos. Esta utilização diz bem do contributo de Frasco para o êxito do F.C. Porto. Contributo que foi devidamente recompensado pela Direcção portista que ofereceu ao jogador um apartamento.
Frasco destacava-se por ser um médio centro de baixa estatura, franzino mas com grande entrega ao jogo e espírito de sacrifício. Era uma verdadeira carraça em termos defensivos, sendo duro o quanto baste e com uma capacidade física que dava muita acutilância ao futebol da equipa portista. Mas Frasco sobressaia sobretudo pela forma como fazia a retenção do esférico tornando-se por essa característica essencial para a posse de bola da formação portista. Era também muito habilidoso na condução do jogo de ataque.
Chegou à Selecção Nacional de Portugal pela primeira vez no dia 17 de Outubro de 1979, num jogo frente à Bélgica, em Bruxelas no Heysel Park, em partida a contar para o apuramento para o Europeu de 1980. No jogo da estreia Frasco foi suplente, entrando para o lugar do defesa Eurico Gomes. O seu primeiro jogo como titular na equipa das quinas ocorreu em 1 de Novembro de 1979, frente à Noruega, no Estádio Nacional, quando Portugal derrotou a equipa nórdica por 3-1.
Frasco completou 23 internacionalizações pela Selecção A de Portugal durante os 8 anos em que foi regularmente convocado para os trabalhos da Selecção. Apontou somente 1 golo, num jogo amigável frente à Bélgica no Estádio 1º Maio em Braga realizado no dia 4 de Fevereiro de 1987, em que os portugueses venceram por 1-0. O seu ultimo jogo pela Selecção Nacional realizou-o no Estádio das Antas, na cidade do Porto, num empate a zero bolas frente à Suiça no dia 11 de Novembro de 1987 aquando do apuramento para o Europeu de 1988. Ao nível da Selecção o ponto mais alto da sua carreira foi naturalmente a presença no Europeu de França de 1984 onde Portugal espalhou o perfume do futebol luso pelos relvados de terras gaulesas. Frasco figura assim no quadro de honra da equipa de Portugal que se classificou num brilhante 3º lugar na principal prova de selecções na Europa.
Ao serviço dos azuis e brancos, Frasco conheceu vários treinadores, dos quais se destacam evidentemente o mestre José Maria Pedroto, Artur Jorge e Tomislav Ivic, com quem ganhou diversos títulos, ou ainda com António Morais e Herman Stessl.
Em 1983/84 conquistou o seu segundo titulo no palmarés individual com a vitória do F.C. Porto na Taça de Portugal e na época seguinte venceu novamente o Campeonato Nacional da 1ª Divisão já com Artur Jorge ao leme do conjunto azul e branco.
Entretanto, ao nível internacional, destaca-se, desde logo, a presença na final da edição de 1983/84 da Taça dos Vencedores das Taças frente aos italianos da Juventus F.C. Em jogo disputado no 16 de Maio de 1984, no Estádio St. Jakob, em Basileia na Suiça e arbitrado pelo juiz Adolf Prokop da antiga RDA, o F.C. Porto foi derrotado pela Juventus F.C. por 1-2 naquela que seria a primeira final europeia da equipa portista. Mais tarde, na época de 1986/87, o F.C. Porto venceu a Taça dos Clubes Campeões Europeus na final no Estádio do Prater em Viena de Áustria frente ao F.C. Bayern Munique, numa partida em que Frasco foi suplente utilizado. Faz parte ainda das conquistas da Supertaça Europeia frente ao Ajax F.C. de Amesterdão e da Taça Intercontinental contra o A.C. Penarol.
Em termos de títulos nacionais, Frasco ainda conquistaria a dobradinha na época de 1987/88 quando o F.C. Porto treinado por Tomislav Ivic juntou o título de Campeão Nacional à vitória na final da Taça de Portugal frente ao V. Guimarães.
Frasco acabou por fazer a sua última época de azul e branco na temporada de 1988/89 numa altura em que já não era titular na equipa portista integrando o plantel essencialmente pela sua preponderância no espírito de grupo. Ao serviço do F.C. Porto, Frasco jogou durante 11 épocas, tendo conquistado 15 Títulos, disputou 306 jogos oficiais e marcou 25 golos.
Já com 34 anos de idade jogou ainda uma temporada ao serviço do Leixões S.C., o seu primeiro clube, na 2ª Divisão Nacional Zona Norte, contribuindo de alguma forma para o acesso da equipa matosinhense à 2ª Divisão de Honra do futebol português.
Terminada a carreira de futebolista profissional, Frasco manteve a sua ligação ao futebol, concretamente como treinador em equipas dos escalões secundários. Foi adjunto de António Sousa no S.C. Beira Mar e actualmente integra os quadros de treinadores das camadas jovens do F.C. Porto.
Por último, a história pela qual é mais lembrado entre os adeptos portistas: apesar da morte recente do pai no alto mar, aceitou jogar o desafio contra o S.C. Covilhã que daria o título 1985/86 ao F.C. Porto.

Palmarés
1 Taça Intercontinental
1 Taça dos Clubes Campeões Europeus
1 Supertaça Europeia
4 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
2 Taças de Portugal
4 Supertaças Cândido de Oliveira
2 Taças Associação de Futebol do Porto

Fonte: gloriasdopassado.pt.vu

6 comentários:

dragao vila pouca disse...

O Frasquinho, grande jogador num corpo tão pequeno. Técnica apurada, inteligência, capaz de jogar a alto ritmo durante 90 minutos, um Frasco de talento, do melhor perfume.

Continua ligado ao F.C.Porto - treinador adjunto dos Júniores.

Um abraço

Nuno Leal disse...

Em Viena não só foi suplente utilizado, como a jogada que dá o golo de calcanhar começou com o Frasco a partir os rins a um alemão pela direita e a lançar a bola para a área .) Este blog é excelente, grande trabalho, FC Porto sempre!

Nuno disse...

Ninguém lhe tirava a bola ... !, foi daqueles jogadores que enervava toda a gente vê-lo jogar, porque se agarrava à bola de tal maneira, que nem passava a bola aos colegas, nem os adversários lha tiravam ... (só em falta!)

Hoje percebo o quanto era importante, ainda nos dias que correm faz falta a qualquer equipa principalmente quando querem segurar um jogo.

Já não existem jogadores como ele ...

Anónimo disse...

O Frasco era um magrinho que não virava a cara à luta. Na final da "champions" a sua entrada foi muito importante.

RS

Manuella disse...

Tive o prazer de o conhecer e entrevistar,na pastelaria petulia, quando colaborei num programa desportivo, estava nervosa e esse senhor foi de uma simpatia e simplicidade,era uma pessoa humilde.

Anónimo disse...

E passaram se 30 anos...