14 de dezembro de 2008

Acúrcio


Acúrcio Freire Alves Carrelo nasceu no dia 16 de Março de 1931.
Juntamente com Américo, Pinho e Barrigana, marcou uma época no Futebol Clube do Porto e no futebol português.
Talvez o F.C. Porto nunca tenha tido tantos e tão bons guarda-redes, e durante várias épocas consecutivas. Depois de Barrigana, seguiram-se Pinho, Acúrcio e Américo.
É curioso que, tal como vários atletas do seu tempo, Acúrcio tenha dividido o seu tempo entre o futebol e outra modalidade onde jogava como avançado: o Hóquei em Patins!
Apesar de nesse tempo os jogadores terem a possibilidade de representar os clubes em várias modalidades, as condições nem sempre eram as melhores. Recentemente, Acúrcio deu uma entrevista onde recordou as dificuldades que os jogadores do seu tempo enfrentavam para treinar e jogar: “Havia uma parte do percurso que tinha de fazer a pé, porque não havia transportes para o estádio”.
Acúrcio foi campeão nacional pelo F.C. Porto na época 1958/59, quando a famosa equipa de Béla Guttmann recuperou o título conquistado 3 anos antes com Dorival Yustrich (o F.C. Porto voltaria a ser campeão 19 anos depois!).
As fantásticas exibições, ao serviço do F.C. Porto, também valeram a Acúrcio oito chamadas à Selecção Nacional (Acúrcio também foi internacional no Hóquei em Patins!), tendo-se estreado por Portugal a 21 de Maio de 1959.
Em 1961 rumou a Moçambique para jogar pelo Ferroviário de Lourenço Marques onde se sagrou Campeão Colonial nesse mesmo ano.
Faleceu no dia 9 de Janeiro de 2010.

Palmarés
2 Campeonatos Nacionais 1ª Divisão (Portugal)
1 Taça de Portugal
4 Taças Associação de Futebol do Porto
1 Campeonato Colonial de Moçambique

fonte: texto retirado com a devida autorização do blog: paixaopeloporto.blogspot.com 

7 comentários:

dragao vila pouca disse...

Não me lembro do Acúrsio a não ser de ouvir falar.
Uma curiosidade:marcou um golo de baliza a baliza num jogo contra o Belenenses, se não estou em erro.
Fiz há tempos atrás um post sobre ele o Américo, o Barrigana - já falecido - e o Vítor Baía, a partir de uma excelente reportagem da Bola Magazine.
Um abraço

Anónimo disse...

Vou deixar aqui a minha equipa para debate:
Mlynarkzyk; João Pinto; Lima Pereira, Jorge Costa e Branco; Andre; Deco; Jaime Magalhães; Futre; Madjer e Gomes. Abraço

Anónimo disse...

«... Fiz há tempos atrás um post sobre ele o Américo, o Barrigana - já falecido - e o Vítor Baía, a partir de uma excelente reportagem da Bola Magazine ...»


Fez, sim senhor.

E foi devidamente complementado com «testemunhos», e onde também se «falou» de outras grandes glórias portistas, lembram-se?


Relembre-se:

- O Acúrcio vive em Cascais (numa Rua que, curiosamente, se chama... Antas).

É «reponsável técnico» (material e gestão)no Pavilhão Gimnodesportivo dessa localidade.

Há mais ou menos um ano a «Bola» entrevistou-o. Nós contactá-mo-lo e está bem de saúde, com os seus 77anos de idade (16.03.1931).

- O Américo vive em S. Paio de Oleiros em Stª. Marias da Feira.

Gere (em sociedade) uma Clínica em S. Paio de Oleiros, há já mts anos (depos de ter deixado a «Magriço», ainda existente na Rua de Santo Ildefonso, e uma Confeitaria, em Espinho).

Chegamos, também, a falar com ele logo após inauguração do «Dragão», convidado pelo Clube (ou sad...) vai já para 5 anos.

Um e outro, de facto, esquecidos, como o foi o... «Bi Bota de Ouro», embora este por menos tempo.

Obrigado, de qualquer forma, pela recordação.

27 de Outubro de 2008 10:33



xx xx xx



Voltando-se ao Acúrcio e ao Américo:


Fazendo-se história e... memória (que é o que o nosso Clube não tem)
porque, de Barrigana (chegamos a vê-lo mas no... Salgueiros) e Vitor Baía, ainda foi... «hoje».

Acúrcio:

A «Bola», a solicitação antecipada nossa, na véspera do Belenenses-FC Porto, de há dois anos, procurou aquela «lenda» e entrevistou-o (por causa do célebre golo de baliza a baliza, e com um braço partido em chopque com Matateu, no Restelo, em 1958).

Acúrcio, quiz saber quem tinha intercedido, a «Bola» informou, e... contactou-nos.

Agradeceu e lembramos-lhe até que fomos vizinhos. Nós, na Rua Santo Isidro (onde nascemos) e ele na Rua Latino Coelho (edifício da Fiat - os solteiros e brasileiros iam para o «Lar», na Praça das Flores).

Posteriormente, numa ida lá
«abaixo», tentamos visitá-lo mas (face à sua ausência) só fomos recebidos pela sua filha D. Isabel.

Entrou no FC Porto em 1955 e saíu em 1961 (o seu último jogo foi a final da Taça perdida perante o... Leixões).

Dissemos-lhe a ele (pelo telefone) e contamos à filha (pessoalmente), que nos anos 80, ele veio com uma equipa jovem de hóquei patins do Oeiras (que treinava) jogar com um mesmo escalão do FC Porto, ao
«Américo de Sá», e, então,lembramo-nos de fixar o olhar nele durante todo o tempo, recordando-o aquando grande guarda-redes que foi, e que, juntamente com Pinho, são os primeiros da nossa memória.

Américo:

Estória, vivida pessoalmente, não menos curiosa.

Em 1964, o FC Porto (ao abrigo do que estava contratualmente obrigado - era normal) fez-lhe uma festa de... homenagem (porque a de despedida verificar-se-ia em 1970)

Foi com um FC Porto-Sporting, a de homenagem (1-0), e com um FC Porto-Benfica (0-3) a de despedida.

Trabalhavamos nesse ano de 1964(tinhamos entrado um ano antes) e em que, curiosamente até nos inscrevemos sócio, para um dos Dirigentes do Clube.

Hoje, ainda nos mantemo no mesmo local de trabalho, mas, esse Dirigente (gerência de Nascimento Cordeiro) já faleceu.

Aconteceu que, a «prenda» do Clube(
que era, salvo erro, uma salva de prtata - porque a outra tinha sido a receita do jôgo) não estaria pronta no dia do jôgo. E, então, o Américo, posteriormente, veio ao escritório, a convite do nosso patrão, o aludido Dirigente, para buscar a prenda.

E, então, fomos nós encarregues de levar a «caixa da preda» ao carro do Américo, que, ainda nos deu uma... gorjeta.

Lembrei-lhe, há anos (no tal contacto), este episódio, e que até se recordou, lembrando-se bem do Dirigente, nosso patrão, do tempo em que os dirigentes serviam os Clubes por... amôr à causa.

Como guarda-redes, para nós, até hoje, foi o melhor. Tantos, mas tantos, grande jogos que temos de memória do Américo.

Dois em Alvalade (em 1962 e 1963): vitória por 1-0 com golos de Serafim, o primeiro, e Azumir, o segundo. O de 1968 frente ao Cardiff City, nas Antas, sobretudo o penalty defendido do Toschak, os «duelos», de facto, com o Eusébio, etc., etc..

Sobre esse «Mundial de 66», em Inglaterra, o seleccionador M Luz Afonso ainda deve estar na «tumba» a pensar porque o não pôs a jogar (tinha-o assumido ainda em vida).

Juntamente com Hernâni, Miguel Arcanjo, Rolando e Pavão (o último), foi nosso ÍDOLO.


PS. - Sobre a revista exibida, tb a possuímos (como a outras dezenas delas) e autografada pelos mesmos (menos do Barrigana). Isto sim... é «falar» FC PORTO.

27 de Outubro de 2008 16:20


Chega?

Um abraço.

José Pereira Silva-Sócio disse...

Dragão do Marco disse:

- Acúsio, bom guarda-redes
Com Virgílio e Barbosa !
Às vezes têm seus reveses
Mas é defesa teimosa !

Ai, Acúrsio, e aquele golo que marcou no Campo da Amorosa ao Vitória de Guimarães !

Que saudades...até de o ver jogar Hóquei em Patins !...
Obrigado, Acúrsio, pelos bons momentos que proporcionou aos adeptos Portistas !.

João de Faria-Lopes disse...

O Acúrcio Carrelo foi antes um grande guarda-redes do Clube Ferroviário de LourençoMarques, porquê omitir?
O Acúrcio Carrelo foi antes um grande avançado do hóquei em patins do Clube Ferroviário de LourençoMarques, porquê omitir?
Seu irmão era médio do hóquei patins da equipa-B da Selecção de Portugal representada apenas por jogadores de Moçambique que venceu em 1957 a Taça das Nações em Montreux. Composição da equipa A:
Alberto Moreira,António Souto,Fernando Adrião, Amadeu Bouçós e Francisco Bélico de Velasco.
Composição da equipa B:
PassosViana;Abilio Moreira,Manuel Carrelo,Victor Rodrigues e Vasco Romão Duarte.
Face ao sucesso dos moçambicanos as entidades dirigentes assintosamente tiraram o António Souto e substituiram-no por Edgar APENAS para que não continuasse o sucesso da equipa constituida só por moçambicanos!

Paulo Moreira disse...

Caro João de Faria-Lopes:

como pode constatar, o texto foi retirado de outro blog, por isso não é da minha responsabilidade e por isso não omiti qualquer coisa que seja.
Se o Acúrcio foi um grande guarda-redes do Clube Ferroviário de Lourenço Marques e ainda um grande avançado do hóquei em patins do mesmo clube, isso é óptimo e só engrandece ainda mais este grande atleta portista.

Sobre o seu protesto referente ao sucesso dos jogadores moçambicanos da Selecção Portuguesa, esse deve de ser dirigido à Federação de Patinagem de Portugal.

Vitor Barbosa Gomes disse...

É lamentável o desapego que é posto por alguns portugueses nascidos em Moçambique, quando se trata de confrontar qualidades regionais.Para mim que nasci em Portugal(Metrópole),nunca senti necessidade de evidenciar o que de bom cá se realizou em confrontação com outros locais do Portugal estendido.Expressões como "esta malta daqui" não sabe ou não conhece, é lamentávelmente uma ofensa à "aldeia" donde saíram os próprios ou os antepassados.O regime em que a maioria foi criada, gerou uma espécie de elite nas Colónias que durou até ao momento em que,em risco de afogamento, todas essas elites se lembraram que afinal o porto de abrigo era "o puto" pseudónimo de Portugal.Talvez por ter conhecido melhor Angola não vi tanto dessas evidências nos que de lá vieram também com uma mão à frente e outra atrás.
Indo finalmente à razão principal da crónica deste blog,acrescento que o país teve muito orgulho nos atletas que em várias modalidades dignificaram o desporto em Portugal,que apesar de viver sob um regime de ditadura vergonhosa, não deixava de ter orgulho nos seus filhos de origem ultramarina, como os referidos hoquistas que maravilharam o mundo da modalidade e, entre outros atletas que dignificaram o ser português no futebol como Matateu, Vicente, Peyroteu,Coluna, Eusébio ou José Águas.
Recordo-me do Acúrcio guarda-redes de estatura elevada, boa para o futebol mas menos propícia para a outra actividade que ele praticava com paixão, o hoquem em patins. Foi bom nas duas modalidades e ainda recordo com desalento o golo que ele marcou ao nosso Pássaro Azul, José Pereira, no jovem Estádio do Restelo.